26.11.05

então, agora, meu querido, você sabe. você sabe, mas eu acho que avisei. então talvez seja idiotice demais, pra que pagar pra ver se eu te disse, eu disse, não páro enquanto a cabeça não encontra o muro. eu sangro pra caramba. me desfaço. eu me perco. tá alí ó. o telefone tão inútil. e esse sol que ri da minha cara. vai, ô babacona, vai. agora você sabe tudo. que não era mentira se eu disse que choro. não tinha razão pra mentir, e não menti. daí eu lembro que você disse: eu posso fazer com que você me ame. pode, né? ah tá. pode então. que legal. comprou todo o pacote e me devolve só metade. não é assim. não é assim. você não pode chegar e me levar as palavras. eu prometi um texto sobre a experiência do ócio e tô aqui, ó, tá vendo? aqui, chorando e imaginando que a culpa é toda minha. se eu acabar sozinha, com quarenta anos, trancada num apartamento velho, a culpa vai ser minha. e escrevendo pra você, quando eu queria desabafar e escrever sobre você. mas é que eu sinto falta da minha casa, sabe? porque agora eu deitaria de barriga pra cima no sol e pensaria que a vida é tão boa, não vale a pena desperdiçar. mas não. porque o sol aqui é constante. eu vou arrumar a minha mala, e vai sobrar bastante espaço já que você não quer mais caber nela, e me mandar daqui. são paulo, nova york, amsterdã. eu vou me mudar e esquecer tudo. eu sempre esqueço tudo. mas não sei se queria te esquecer. ou passar pela traumática experiência de outros braços, outros cheiros, logo agora. logo agora. ah, que belo timing. que belo timing. tá escrito na minha testa, né? tem um letreiro luminoso poliglota na minha testa que atrai as pessoas. para alugar, ele diz. ô porra de letreiro burro. eu tentei mudar: para vender. não adianta. eu não sou o tipo que arruma proprietários. eu arrumo inquilinos. eu sou o tipo que não vem com armários embutidos ou cozinha planejada. eu sou um apartamento vazio, com uma pintura ruim, mas que atrai pelo charme. tá numa boa vizinhança, já teve moradores famosos. se você procurar bem vai achar exemplares raros da sylvia plath escondidos no assoalho. me acostumo. tem a vida toda ainda.
mas agora vou cuidar desse machucado. tá doendo um pouco. você já sabe de tudo. não preciso de ajuda. corre, vai achar alguém que esteja na vitrine à venda.

22.11.05

eu-quero-agora.

19.11.05

h-o-l-a-n-d-a.

agora está pago.
é.
eu não tenho chão firme embaixo dos pés. é tudo uma nuvem e eu penso: ok, hora de aproveitar. e faço, eu vou e coloco a cara alí, bate bate bate. mas não é essa deborah. alguém explica onde foi parar a responsável deborah, que acordava cedo pra escovar os cabelos e ir trabalhar? que dormia cedo e era comedida? a deborah que dava conselhos e... um momento. talvez nunca tenha sido assim. talvez eu não me conheça muito bem e seja, na verdade, uma baita irresponsável mesmo. morro de vergonha. tenho dezesseis anos novamente. e a perspectiva de um ano inteiro tendo de cuidar de mim mesma. agora eu dirijo e dou risada demais. sofro de amnésia etílica - e não é brincadeira. tenho de ir ao touring tirar a habilitação internacional. quero um buraco, pra esconder o rosto. ou os cabelos. pode apostar: se meus cabelos estão soltos num dia quente assim é porque quero esconder alguma coisa. as olheiras, dessa vez. a fina vomitou no banheiro do shopping, lavou a boca e saiu sorridente. relações públicas, sabe como é. e eu tô feliz. de um jeito que não me permite ser alegre o tempo inteiro.

14.11.05

esse negócio de: eu gosto da tua companhia é deveras chato, antiquado e chato e antiquado. coisa de pessoas que não tem coragem de dizer: eu gosto de você. porque não pode dizer, assim, só? não tem perigo nenhum. eu gosto logo digo. não importa se te conheci ontem ou anteontem ou agora. claro que enganos acontecem, mas aí posso dizer que odeio. que não quero nunca mais ver na vida, e fazer minha cara de indiferença ao passar na rua. eu gosto de tua companhia é para os fracos. eu gosto de você rules the world.
adolescente-pride-have-no-children mode on.

dropdead gorgeous.
em setenta e duas horas com vinte e dois anos eu já:
queimei o dedo num prato de brigadeiro super mega quente. pretty bad.
ri como uma retardada.
chorei.
dancei muito - e com pessoas desconhecidas.
fiz de conta que tudo estava bem.
mandei milhões de sms sem nexo.
tive um momento daqueles que a gente nunca quer que termine.
assisti ao melhor episódio de sex and the city - sobre as meninas de vinte e poucos.
comi danoninho com a mão.
senti saudade.
senti medo.
senti vontade.
e vi o dia clarear sentada numa calçada.
mais coisas também, mas agora não lembro.
e eu queria que você soubesse que quando eu disse diversão, foi porque imaginei que seria diferente. que seria essencialmente isso, sem muitas palavras. mas aí vieram as histórias e as risadas, os olhos e a vontade e todas as verdades.
pode ir que eu agüento.

13.11.05

nhai. nhai.
me tira o sono.

well show me show me
show me how you do that trick
the one that makes me scream - she said
the one that makes me laugh - she said
and threw her arms around my neck
show me how you do it
and i promise you

i promise that
i'll run away with you
i'll run away with you
spinning on that dizzy air
i kiss your face and kiss your head
and dreamed of all the different ways i had
to let her know
why are you so far away? she said
won't you ever know that i'm in love with you
i'm in love with you

12.11.05


e essa é a música do momento.

time to pass it to the test
hanging on my lovers breath
always coming second best
pictures of my lovers chest
get through this night
there are no second chances
this time i might
to ask the sea for answers
always falling to the floor
softer than it was before
dog boy, media whore
that's who the hell you take me for
give up this fight
there are no second chances
this time i might
to ask the sea for answers - placebo.

that may be all i need.

i've had you so many times but somehow i want more...

nanana. nanana. nanana.
hoje eu tenho vinte-e-dois, sabe?
e antes da meia-noite coisas boas acontecem, pra quem deseja muito forte.
rá rá rá.

10.11.05

encontrei dois arquivos.
um de 2004 - quando eu já trabalhava - e um de 2002 - quando eu já ia ao analista. o de 2003 se perdeu na internet.
vejamos.
terça-feira, 12 de novembro de 2002
ok, i’m a nineteen years old girl.
e agora que já passou toda essa bobeira de “parabéns querida” posso voltar ao habitual. uma deborinha chatinha, cheia de questões existenciais a serem resolvidas in this life time. engraçado, pessoas que nunca ligam resolvem aparecer no dia do teu aniversário. eu não dou muita trela, oras, nunca ligam, então não devem se importar muito. desapareçam, dispenso ligações malucas de criaturas praticamente mortas.
fui ao cinema sozinha de tarde. sim, eu queria ficar sozinha. queria ter visto o ultimo filme do almodóvar, mas acabei entrando na sessão de “casamento grego” por ser a única disponível no horário. tudo bem.
não gosto de aniversários. melhor, acho que aniversários são experiências individuais. cada um sabe o que significa o ano que passou, deu. façamos um retiro espiritual. muito melhor. tá, agora que passou até quero comemorar, não nessa semana, por causa do feriado, mas mereço uma baladinha de várias horas na semana que vem... agora eu tenho dezenove aninhos, mais um ano e não serei uma teenager!
estranho pensar nos planos absurdos que havia feito. deveria engravidar em fevereiro do ano que vem... uma viagem sobre suposta tradição familiar de ter filhotes aos vinte, fevereiro pra nascer no mesmo mês que eu. não, não quero e nem posso engravidar ainda. nos meus planos estaria junto com o primeiro namoradinho, teríamos uma sólida relação e ele seria um ótimo pai pra valenttina... pobre de mim e dessa cabeça pensante!
deveria estar no quarto semestre da faculdade já... ou seja, metade do curso de letras. mas não. aqui estou, fazendo cadeiras de primeiro semestre e tentando descobrir se é isso mesmo que quero... se é aqui mesmo que quero ficar... e agora, passou mais um ano.
não queria que fosse diferente. aconteceram coisas demais nesse ano. minha cabeça não é mais a mesma. eu não sou a mesma. descobri que suporto mais do que achava que conseguiria, sou mais forte do que julguei ser. mais um ano, mais acontecimentos inesperados, mais choro, mais risada, mais arrependimentos que não são tão arrependidos... mais deborah confusa, gritando e colocando os pés pelas mãos. mais abraços e beijos e sentimentos eternos que terminam em duas semanas...
mais um pouquinho de mim sendo eu mesma.
bom que pode ser assim.

terça-feira, 2 de novembro de 2004
então é natal, e o que você fez?
tá, nem é assim tão natal, mas é quase.
e tem meu (a)niversário na semana que vem. dispenso os parabéns daqueles que me odeiam. até porque cansei de ouvir sobre os meus vinte-e-um anos. é eles estão aí, como todo o resto da vida. metade da faculdade já foi, não uso drogas, não sou promíscua (vocês sabem que um em cada cem jovens está contimado pelo vírus da aids?), tenho um estágio decente, ambições e planos. apesar da televisão, minha cabeça é razoavelmente boa. não vou ficar me martirizando ou sofrendo como vítima de um estupro social: ó, que merda, tudo poderia ser tão melhor. tá legal assim. e tem muito pra acontecer. e eu tenho duas pernas e dois braços que não contabilizam JÁ vinte-e-um, e sim APENAS vinte-e-um.
vai ser APENAS enquanto eu quiser. APENAS quarenta. APENAS sessenta-e-oito. assim acertado, no dia onze de novembro permito que me parabenizem pelos anos que tenho pela frente. pelos filhos que vou ter. pela força que vou encontrar para superar eventuais dificuldades. pelo diploma que um dia chegará. essas coisas. nada de passado e juízo e seja boazinha. nem precisa de presente, só acreditar em mim já é mais que suficiente.
rimou.
eu tenho orgulho da pessoa que sou. é sério.

9.11.05

...phone calls from further away
and messages on my machine
but i don't ever tell you this distance seems terrible...

são quase quatro da manhã, mas a luz tá acesa, a janela tá aberta e eu procuro qualquer coisa - sem saber direito que lado olhar.
o sorriso no rosto e os mesmos olhos tristes, o barulho com as chaves e a mania de cantar baixinho pra espantar o medo do escuro. os tênis atirados no canto da sala e uma corrida patética até o banheiro, largando roupas pelo corredor. é melhor não fazer barulho, menina. o cabelo preso, o rosto limpo, nada no estômago e uma vontade infantil de ficar parada na janela esperando.
as vezes eu tenho ódio de mim mesma, de ser afetada por coisas tão pequenas. por que diabos me atiro dessa forma tão irresponsável? e por que essa insegurança desnecessária? eu tô escrevendo à mão - de novo. e chorando - o que não é novidade. tudo certo para os meus sonhos se tornarem realidade cinderella kind a way, e assim, aqui, pensando em um modo de reverter os últimos dias. que merda, viu? tenho vontade de gritar comigo mesma. mas eu sou tão menininha mesmo. faço desenhos de coração nos livros de planejamento. fico imaginando que roupa vestir à noite durante o horário de almoço. o problema é que agora só tenho isso a fazer: alimentar minha cabeça confusa com banalidades. não. não são banalidades. quando afeta o estômago é porque é sério. vai ser bonito me declarar: hey, você me faz vomitar. é, paixão imediata ou seu dinheiro de volta.
acordei num quarto desconhecido, em uma cidade onde minha única referência é o mar e um mcdonald's, me sentindo uma versão feminina e cheia de vódega do bandini. ao olhar pro lado - por que ninguém acorda num quarto desconhecido sozinho? - tive a impressão de conhecer aquela pessoa desde sempre. até vontade de abraçar. mas - idiota - por que tinha de perguntar sobre as outras? é algo tipo auto-flagelo adquirido depois de tantos fantes e sallingers e pop britânico - porque eu sou tão tão moderninha. nós não estamos em 1930, visto que há um mcdonald's. mas não estava nos meus planos também a vontade.
daí eu fiquei procurando um lado pra olhar, até agora que o sol já é alto. minha cama arrumada e o porco rosa ao lado do travesseiro - atestando minha infantilidade.
o mar tá limpo, o vento agradável e quase me convenço de que vim procurar certezas em bancos de areia.
eu tô, de novo, nos trilhos.

7.11.05

nanana.
faltam poucos dias para a chegada dos 22. eles ficarão por um ano, até a visita dos 23. eu recebo visitas anuais que cessarão exatamente no dia da chegada dos 30 - esses ficarão por um bom tempo.

we look so good together
it don't get much better
i can't believe i'm by your side
wherever you are i'm coming
i wanna ride with you honey
i wanna roll around the kitchen floor
i wanna fight with you honey
so we can make up and make love some more
you gotta little bit of soul in your step
you're the best kisser i ever met
you never ever do what you should
babe how did you get to be so good?

5.11.05

eu tô meio braba hoje.