31.12.05

resolução.
eu não tenho grandes resoluções de ano novo.
só tô esperando que ele chegue, e traga com ele minha passagem para a europa. minha liberdade condicional. meus vinte-e-três anos. a decisão para as confusões. o alívio para as decepções. um sorriso no meu rosto. mãos nos meus ombros e aflição no coração.
eu tô esperando que ele chegue com mais felicidade para as pessoas que eu amo, porque isso vai me fazer mais feliz. eu tô esperando que ele me ensine como não magoar. me mostre como se calcula a distância, para que eu nunca mais pise em falso e caia no precipício.
eu quero que ele veja em 2005 meus momentos sinceros e os faça repetir. sentada no píer. deitada na cama. chorando no méquidonaldis. não apague minhas tristezas, não me faça esquecer, pois são elas que me mantêm viva. eu quero um ano novo que me permita errar, que me permita envelhecer, que me permita ser criança mais um pouco. que mantenha meus 59kg. eu quero um 2006 de alegrias e decepções, como todos os anos devem ser.
uma imagem vindo de longe, e eu acreditando que vejo um quadro. o coração pulando tão forte, visível na blusa. príncipes, cavalos, castelos. as coisas que eu imagino quando fecho os olhos, mas sei que nunca vão concretizar. nunca é demais tentar.
um pouco menos de medo. um pouco mais de coragem.
mas não é uma mágica, é apenas um ano novo. e se fosse mágica eu desejaria a resolução de todos os problemas. eu desejaria que algumas pessoas virassem pó. uma luva de boxe para quebrar a cara específica - que não ri, não chora, não demonstra sentimentos e nem deve pensar muito em ano novo. mas não é uma mágica e amanhã não há solução batendo à porta.
então eu quero ser mais calma e controlada. odiar menos. quero tomar as decisões mais acertadas. e quero poder me arrepender depois.
sinceramente, eu tenho a maioria das coisas que preciso para viver. então, é egoísmo demais querer tanto. vou virar as mangas da camiseta, subir no salto e caminhar para vida. porque são mais doze meses. seguidos de mais doze meses.
tudo vai dar certo.
eu tenho certeza.

28.12.05

e eu fico mais triste por não poder prometer nada.

26.12.05

olha só: no canto superior esquerdo.
onde dizia blogger - e tinha símbolo de blogger - agora diz deborah e tem coraçãozinho.

um mimo natalino do programador de html leonardo klück.

ho ho ho.

21.12.05

eu voltei pra casa.
e uma das melhores coisas em voltar pra casa é a sensação de lar.
que coisa mais brega, hein deborah? mas não, ninguém vai entender se não viveu. então vou pra holanda pensando em como os braços me receberão na volta. em como isso é imutável e em como amor é algo que não se escolhe.
deitar na minha cama, ligar a televisão da sala, abrir a geladeira. ouvir gritos, choro, reclamações. claro, isso vai voltar a incomodar assim que a rotina se estabelecer. acontece que são coisas tão óbvias que te fazem sentir acolhida, nos momentos de saudade a gente imagina o que tá doendo, quando é apenas a falta dessas obviedades. falta das liberdades. viver pisando em ovos é ruim. ter medo na própria casa é pior ainda. e dói, sabe? dói. porque todo mundo sabe que eu estava na casa do meu pai. que não é mais dele, descobri.
e isso é outra coisa. só me passa na cabeça a comparação mais imbecil, vamos lá. uma prótese, às vezes o corpo rejeita, certo? então a pessoa toma remédios para evitar a rejeição. eu tenho achado que na vida é assim também. principalmente nessas modernidades de casais, hoje em dia. ninguém pode me obrigar a aceitar. eu tenho todo o direito de rejeitar porque é um corpo estranho. eu não pedi. estava muito legal sem. e estão esquecendo de ministrar os remédios pra rejeição. mesmo. aliás, estão cutucando o machucado. conheço casos em que a prótese teve de ser retirada, e sempre leva alguma coisa junto...
estar de volta à bagunça é bom. beijar as pessoas que a gente ama é bom. saber que sempre há um lugar pra onde voltar e braços abertos e a segurança de um carinho é a melhor coisa do mundo.
eu tô feliz.

17.12.05

dói. dói. dói.

um pedaço de mim fica.

16.12.05

e de agora em diante esse blog é completamente seguro de si.
só falará de pessoas corretas, honestas, que bisbilhotam e-mails e históricos do msn. boas pessoas. seguras.
falará de pai perfeito, mesmo tendo desistido da família. falará sobre os donos da verdade em sua plenitude. aqueles que detêm o poder - e me enganei na digitação, escrevi "podre". falará sobre namoro de mãos dadas, aos vinte-e-oito anos, idade perfeita para perder a virgindade. falará sobre assuntos escusos, que se passam na cozinha, tom baixo de voz, para que as pessoas da sala de jantar não ouçam. falará sobre mulheres sem cultura, com péssima caligrafia e que dizem: quando penso em você fico molhadinha.
esse blog não mais será sobre mim. porque nem todo mundo entende sylvia. nem todo mundo entende kundera. nem todo mundo sabe que o mundo muda. que a terra gira. e que cuidar do seu próprio umbigo é muito mais saudável.
de agora em diante versaremos sobre respeito. sobre clausulas contratuais. sobre jogo de futebol. sobre mentiras e assuntos levianos que fazem uma casa infeliz.
nada mais de livros e música. quem precisa disso? nada de risadas e brigas. nada dos dilemas existenciais. gente rasa não tem insegurança. assim como os ignorantes não enxergam os problemas.
sobre respeito, em termos. porque nesse tempo em que estive passeando por gotham city descobri que só se deve respeitar àqueles que estão em maioria. mesmo que não consigam decidir o que é superávit primário ou tenham a risada encolhida, típica de quem esconde alguma coisa. ou vergonha.
sabe que o pior tipo de pessoa é aquela que tem vergonha dela mesma e tenta disfarçar. porque ri baixo. é o tipo que não gargalha. é o tipo sorrateiro e dissimulado que esconde alguma coisa.
eu não sei.
esse blog não é mais meu.
é da opinião pública de uma casa ditatorial.
se havia dúvida: caí fora. eu não vou seguir padrões antiquados por um salário mínimo. ah, não vou mesmo.

15.12.05

o lado bom da vida.
(ou: você sabe fazer piada?)

deborah. diz:
tu viu o negócio da au pair falecida?
nath. diz:
au pair?
nath. diz:
o.o
deborah. diz:
sim. foi morta morrida.
nath. diz:
vi.vi
nath. diz:
analisamos todo o orkut dela e dele
deborah. diz:
pois sim...
deborah. diz:
veja que coisa.
deborah. diz:
o orkut mostra que, de fato, pessoas morrem.
nath. diz:
morrem mesmo
nath. diz:
mas você pode se comunicar com eles via scrap.
nath. diz:
fiquei sabendo que no céu tem banda larga
nath. diz:
um dia todas as pessoas do orkut irão morrer
deborah. diz:
meu deus.
deborah. diz:
no céu.
deborah. diz:
banda larga.
nath. diz:
uhum
deborah. diz:
impressionante.

1.12.05

censurei.