30.1.06

lágrimas sofridas e feridas do meu peito
dei minha palavra minha honra meu respeito
todas as palavras e olhares que podia
é com qual coragem que você me repudia?
começo a ter medo, porque já não tenho medo. começo a ter medo, porque me falta a ausência. começo a ter medo, porque você mesmo me ensinou a apoiar em outros pilares. começo a ter medo, quando vejo outras bocas saberem muito mais de mim do que você. quando outros abraços são muito mais sinceros. quando outras certezas arrancam sorrisos do meu rosto e enchem o coração de alegria. começo a ter medo, por não estar em minha lista de agradecimentos. medo de ter desperdiçado meu tempo em uma tentativa inútil. começo a ter medo, quando você teima em desatar o único laço que nos ata - se eu aprendo a caminhar sozinha, quem te garante meus passos em tua direção um dia?
agora eu sei o que minha mãe queria me esconder
às vezes as mentiras também ajudam a viver
talvez um dia pro meu filho
eu também tenha que mentir
pra enfeitar os caminhos
que ele um dia vai seguir.

they don't make a bandage that is going to cover my bruise.

é impressionante.
mas, de fato, vocês meio que morreram. devem ser tratados como loucos, como peças idiotas que só fazem parte de um mundinho pequeno demais, raso demais. vocês são...vocês são a materialização do que eu não quero ser - e muito educativos para isso. vocês são aqueles que nunca leram um livro inteiro, e mentem que sim. aqueles que não entenderam ainda que a reprodução do que se lê em jornal e revista é patética. vocês não tem futuro. vocês são anônimos. dissimulados. ridículos. vocês são aqueles que vão à igreja e fazem tudo errado. vocês são aqueles que merecem as minhas piores palavras. e o meu melhor desempenho como atriz.
obrigada.

24.1.06

gentinha - que não sabe filosofia e nunca foi princesa - não tem espaço na minha vida.

you and nothing looks the same to my eyes. piece of shit, old bitch.

vou seguir no meu vestido, com licença.

23.1.06

tô furiosa.

furiosa.

dear father:

se você queria ter apenas uma filha, que tivesse parado em mim.
o fato de minha irmã ter entrado na universidade - estou muito feliz, por sinal - não exclui o fato de que eu ainda vivo. ou quando nascer teu outro "herdeiro" tu vai esquecer das três que previamente existem? que bobagem.
mas não pode a maioria estar errada, e só um senhor deter toda a verdade. e não me vem com essa de: eu não tenho renda. advogados perguntam: se não tem renda há quase dois anos, como seguiu pagando? you are so busted.

véia coroca diz:
dã pra ele!
véia coroca diz:
tu ainda naum tem 24 anos
véia coroca diz:
e naum concluiu o ensino superior
véia coroca diz:
ele q pare de frescura e pague a bosta da mesada
véia coroca diz:
senão vou lá na paraíba dar uma pexeirada nele!
meu pai tem muita sorte, sabe? ou nós temos muito juízo. muitas pessoas ficam de fora da universidade pública e gratuita. MUITAS. daí eu te pergunto, vivente, se a inteligência e a sorte nos faltasse, como seria? se uma faculdade já não garante muito hoje em dia, imagina a falta dela.
mas a minha tristeza é maior quando vejo os pais, os outros pais, dizendo aos amigos: é, se formou, mas tem de continuar ajudando. filhos, né?
se um dia eu vou ouvir isso? espero, sentada.
mas eu não mereço, né, pai?

12.1.06

blood relations. family issues.
eu não nasci na família perfeita. minha mãe, nem de longe, lembra nigella - tu esperava que eu escrevesse martha stewart, né ô desligado?
mas é uma família feliz.
eu+mãe+nath+kika.
assim como grande número pessoas, sou o produto de um lar desfeito. o pai não chega quando termina a novela das seis. não está em casa no jantar de apresentação do namorado novo. não sente orgulho nenhum pelas pequenas conquistas ou alegria com as pequenas felicidades. e eu enxergo esse último como um dos maiores problemas da separação, apesar de saber que existem casos muito bem resolvidos - o meu não é, as grandes expectativas.
não é drama, não é tristeza. é uma constatação. invariavelmente segue a felicidade familiar com a parte do casal que manteve os filhos. por que, explica, como dizer família de alguém que cobra as notas fiscais, que trata a relação como uma obrigação, alguém que forma outra família e diz: liguem vocês, eu não faço mais esforço algum?
então, isso sim é triste, a outra parte nunca vai saber o que é um sorriso pedindo desculpas pela manhã. a alegria de uma mesa de domingo. a dor de sofrer junto com uma reprovação, com o término de um relacionamento, com a ansiedade de um resultado. sempre será o convidado, o estranho, a outra parte e sua nova família, a outra parte e os seus conceitos que não vigoram embaixo do nosso teto. se a outra parte arruma uma cara-metade mais nova que a mamãe, se a outra parte não precisa acompanhar as crianças à escola, se nunca soube o que é dar uma carona de volta da faculdade, às 22:50. se entrega para qualquer um a culpa de ter se afastado, se metido do outro lado do país, a culpa pela falta de insistência. e eu sei que vai doer, se já não dói. porque inteligência é de família, a verdade existe, e não é possível entregar o fardo ao primeiro desconhecido. quando deita a cabeça no travesseiro deveria imaginar que estamos as quatro, rindo de piadas sem nenhuma graça, conversando sobre o dia: juntas. enquanto o silêncio impera num apartamento vazio, a outra parte espera que a filha mais velha faça seu primeiro milhão antes dos trinta, que a filha do meio faça o seu primeiro milhão antes dos trinta, e que a filha mais nova desenvolva síndrome de peter pan - e ainda assim faça o seu primeiro milhão antes dos trinta. essas são as grandes expectativas. esse é o maior problema.
assim como grande número de pessoas, sou o produto de um lar desfeito. a mãe precisa trabalhar pesado. submetida à contratos de separação e desentendimentos conjugais. aos novos companheiros - que com sorte serão bem aceitos. dividindo em casa responsabilidades. enfrentando a vida como qualquer outra pessoa.
mas, mesmo aos vinte-e-dois, esperando que a outra parte, um dia, possa demonstrar sua felicidade gratuita, sem exigir nada de volta.

5.1.06

eu vou chorar.
só pelo prazer.
não é isso que dizem por aí?

humpf.

eu já disse que odeio mesmo?

i don't wanna be anyone who would wanna know me.

você é idiota e eu te odeio.

comunidades legais do orkut.

-eu nasci no dia do meu níver.
-eu moro do lado do meu vizinho.
-social é o caralho.
-eu vasculho o orkut alheio.
-eu odeio cagar fora de casa.
-eu transo de meias, e daí?
-acre is a lie.
-biscate não sente frio.
-fiquei sabendo pelo orkut.
-te conheço do orkut.
-se nada der certo caso por interesse.
-teu namorado me pega de jeito.
-se nada der certo eu viro puta.
-eu encosto a língua no nariz.
-pode ficar com o resto.
-(011) 1406
e
-eu minto que não estou no msn.

eu não tenho mais nada pra fazer hoje.

4.1.06

tá.
talvez eu esteja me precipitando.
mas eu p-r-e-c-i-s-o fazer com que a vida volta ao normal.

1.1.06

woodenshoes land.

e eu recebo e-mails assutadores.
apressando meus documentos para o visto. daí você pára e pensa: ok.
ok.
ok.
eu vou morar num país que fica abaixo do nível do mar. alguém explica a sensação? como se pode subir para chegar na água?
responsável por mais da metade da produção mundial de flores, terra do maravilhoso queijo gouda, dos moinhos, tamanquinhos de madeira, aquelas musiquinhas de realejo e da anne frank. e eu vou. e agora é claro como água e meus documentos caréssimos para o mvv - o visto de permanência para o países baixos. nieuwendijk, kalverstraat, leidse straat. eu vou andar por essas ruas todas.
eu tô toda ansiosa. 2006 começou, e deus sabe onde é que eu vou estar quando começar 2007.
e amanhã, han, amanhã eu tenho mais o que fazer. muito mais. deveria servir de lição àqueles que falam sem saber, mas quer saber? não vou contar. eu sou muito mais do que isso. muito mais.
ah, claro. tudo pode dar errado. mas é um risco que se corre.